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O que é gamificação White Hat e gamificação Black Hat?

Quando o empresário taiwanês Yu-kai Chou começou a estudar sobre gamificação para criar aquilo que seria seu grande legado para o tema, o celebrado Octalysis Framework, um ponto logo chamou sua atenção: enquanto alguns jogos tendem a experimentar grandes picos de popularidade que logo se retraem, outros conseguem manter sua fama de forma consistente por anos ou até mesmo décadas.

Chou percebeu que isso acontece devido à forma que esses jogos são criados e os tipos de motivação que eles geram em seus jogadores. 

Dessa observação, nasceram as definições de gamificação White Hat e gamificação Black Hat. Quem já está familiarizado com o Octalysis Framework sabe que esse método é representado por um octógono no qual se encontram 8 elementos chamados de Core Drives, que controlam a motivação humana.

Yu-kai Chou divide esses Core Drives em duas categorias, que são, justamente White Hat e Black Hat. Nos próximos parágrafos deste artigo, você vai descobrir o que são esses conceitos e como eles se aplicam no processo de gamificação.

O que é a teoria White Hat vs Black Hat

Como mencionado no início do artigo, a teoria da gamificação White Hat vs Black Hat nasceu de uma curiosidade de Yu-kai Chou: por que alguns jogos fazem sucesso, viciam seus jogadores durante algum tempo e logo depois passam por uma queda de popularidade? E por que existem outros que conseguem manter um legado e uma base de jogadores consistente através dos anos?

Estudando mais a fundo, Chou percebeu que a grande razão para isso estava na forma que esses jogos foram criados e nos Core Drives que motivavam seus jogadores durante as fases mais avançadas do game. 

Enquanto os jogos que viralizam e “somem” oferecem apenas Core Drives que motivam com base em sentimentos como urgência, obsessão e vício, os que possuem uma trajetória mais consistente costumam proporcionar aos jogadores uma sensação contínua de bem-estar e satisfação.

Essa constatação fez com que Chou se lembrasse de dois conceitos que aprendera quando estava imerso na área de SEO (Search Engine Optimization): White Hat e Black Hat.

Dentro do universo do SEO, uma técnica White Hat consiste em construir um site da maneira recomendada e desejada pelas ferramentas de busca. Já o termo Black Hat se refere a metodologias que as ferramentas de busca de forma desonesta, se aproveitando das falhas dessas plataformas para impulsionar o ranqueamento de sites de modo mais rápido.

Motores de busca fazem tudo o que está ao seu alcance para barrar sites que praticam Black Hat SEO, aprimorando seus algoritmos para identificar e eliminar esse tipo de página dos resultados de suas pesquisas. Porém, o cérebro humano não funciona da mesma forma.

Coisas que nos despertam sentimentos de obsessão, preocupação e até mesmo estresse acabam sendo sedutoras e nos impulsionando, ainda que de forma inconsciente. A gamificação do tipo Black Hat se aproveita desse tipo de motivação segundo. Mas apesar disso, a estratégia Black Hat pode ser bem-vinda em alguns momentos de um contexto gamificado.

A importância do White Hat e Black Hat na gamificação

Core Drives White Hat são aquilo que Yu-kai Chou descreve como elementos motivadores que fazem com que nos sintamos poderosos e satisfeitos, com total controle sobre nossas vidas e ações. Por sua vez, os Core Drives Black Hat são definidos por ele como aqueles que nos tornam obcecados, ansiosos e estressados. Se por um lado eles possuem um alto poder de motivar nossas ações, a longo prazo podem nos causar a sensação de falta de controle sobre nossos próprios comportamentos.

Uma leitura superficial logo leva a crer que a gamificação White Hat é a melhor opção em todos os sentidos. Porém, ela possui um ponto fraco importante: trata-se de uma estratégia que falha em criar um senso de urgência.

A gamificação Black Hat ajuda a criar a urgência muitas vezes necessária para que o sistema gamificado realmente funcione. Se uma empresa implementa uma gamificação baseada unicamente em White Hat em um ambiente onde os usuários são constantemente bombardeados por estímulos Black Hat, eles provavelmente ficarão sem senso de urgência e sempre procrastinando, o que prejudica a experiência. Por isso, o equilíbrio entre os dois tipos de gamificação costuma ser uma saída necessária.

Utilizando a gamificação Black Hat de forma consciente

O que Yu-kai Chou sempre faz questão de deixar claro é que a gamificação Black Hat não é necessariamente um sinônimo de ruim ou antiético. Algumas pessoas utilizam técnicas Black Hat para impulsionar o cumprimento das suas metas de médio e longo prazo, por exemplo.  

As técnicas Black Hat, quando bem desenvolvidas e aplicadas, nos levam a tomar certas ações de forma rápida e sem que nos sintamos 100% no controle de tudo. Se isso é algo bom ou ruim, depende das intenções e do resultado final de tais ações.

Por isso, é importante manter uma lição importante em mente: quando falamos em gamificação, é fundamental garantir, acima de tudo, que o usuário se sinta bem por estar inserido naquela experiência. Em outras palavras, com boas doses de técnicas White Hat. 

O impacto do Black Hat no sucesso (ou não) de uma empreitada

As teorias de Yu-kai Chou sobre gamificação White Hat e Black Hat são tão fores que podem até mesmo servir de base prever se algo será ou não um sucesso. Um estudo de caso utilizado pelo próprio autor no livro que publicou sobre o tema é o da empresa de jogos Zynga, corporação por trás de FarmVille.

Por mais que não utilize o termo oficialmente, a Zynga é uma expert no uso de técnicas de gamificação Black Hat, o que sempre gerou bons resultados à primeira vista. Porém, a empresa sofria de um problema crucial: seus jogos eram viciantes, mas falhavam em fazer seus jogadores se sentirem, justamente aquilo que as técnicas White Hat.

O resultado disso? À medida em que o usuário ia jogando, a novidade e o entusiasmo do início ia se esvaindo cada vez mais. Além disso, novos lançamentos da empresa falharam em atingir os resultados esperados.

Esse case ilustra muito bem a importância de um bom entendimento tanto sobre White Hat quanto Black Hat. Conhecendo a fundo as duas frentes, fica mais fácil medir resultados antecipadamente e implementar um sistema gamificado de forma mais segura, com menos risco de falhas.

A necessidade de equilíbrio que mencionamos anteriormente se mostra mais uma vez importante. Se uma estratégia de gamificação é formatada sem nenhuma técnica Black Hat, provavelmente não haverá aquele sucesso viral. Mas se não houver, também, alguma técnica White Hat, o usuário logo irá se cansar e abandonar o jogo em busca de algo melhor.

Referência:

White Hat vs Black Hat Gamification in the Octalysis Framework

Núcleo de Apoio Psicopedagógico da Fapuga Realiza Feira de Habilidades 

Na última semana, o Núcleo de Apoio Psicopedagógico (NAP) da Fapuga realizou um evento muito diferente do cotidiano em sala de aula, através de uma feira de habilidades proposta aos alunos.

Na oportunidade, os alunos dos cursos de Administração e Gestão Hospitalar foram convidados a mostrarem um pouco do que fazem de melhor, além de um convite a se perceberem e mostrarem como gestores, no que compreende diferentes habilidades da atuação.

Projeto idealizado pelo Núcleo de Apoio Psicopedagógico, mas com a participação ativa dos graduandos

Apesar da idealização realizada por Bianca Rafaela, coordenadora do NAP, ela conta como os graduandos participaram ativamente nas diferentes etapas do projeto. Dessa forma, não foi somente durante a apresentação final que os alunos puderam demonstrar ativamente suas habilidades.

“Eu particularmente vejo um reflexo de como essa experiência no geral foi útil, porque a gente pôde vê-los como gestores, desde as pessoas que se apresentaram, das perguntas pertinentes dos alunos que estavam ali acompanhando, das pessoas que colaboraram com a organização da decoração, da confraternização”, comenta Bianca.

Núcleo de Apoio Psicopedagógico da Fapuga Realiza Feira de Habilidades 

Uma experiência pensada para o momento da formação

A experiência foi pensada analisando as necessidades dos alunos neste momento da graduação. Estando no segundo ano deste percurso de formação, os alunos já obtiveram muito aprendizado, mas ainda têm diversos questionamentos, incluindo sobre as próprias aptidões.

Leia também:
“O objetivo é que a aula não acabe aqui”, a metodologia da faculdade que se estende além da sala de aula;
É melhor fazer faculdade à distância ou presencial? Aluno Fapuga fala sobre sua experiência;
Jogos na educação de negócios – como transformar games em ferramentas de aprendizagem.

Assim, atribuí-los como agentes deste evento deu a chance de não serem alunos passivos, que apenas recebem os conteúdos em sala de aula, mas pensarem ativamente nas aptidões e habilidades que estão desenvolvendo, e como elas refletem em suas capacidades enquanto gestores.

Como explica Bianca: “a gente constrói oportunidades para que essas pessoas possam desenvolver essas habilidades, e que vão contribuir nessa formação que vai além do mercado de trabalho, essa na verdade é a consequência. Primeiro, eu preciso construir essa percepção, para daí aplicar nas minhas relações e entender como elas vão ser úteis nos diversos espaços.”

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A oportunidade de utilizar a estrutura da faculdade na demonstração de talentos diversos

Ao todo, o evento deu espaço para 6 apresentações:

  • Exibição de artesanato feito com material reciclado;
  • Exposição de trabalho autoral de fotografia;
  • Mostra em vídeo e relato de aluno sobre suas habilidades e experiências enquanto baterista;
  • Apresentação sobre a arte da regência;
  • Prato típico do Piauí, mostra e história de tradição culinária;
  • Exposição de loções com fragrâncias autorais.

No modelo presencial de ensino, a oportunidade de utilizar a estrutura da faculdade para realizar interações como esta vem enriquecer e muito no processo de formação.

Ao colocar em prática seus conhecimentos e habilidades, o estudante desenvolve autoconfiança em suas capacidades profissionais. Essa autoconfiança é essencial para se sentir preparado para os desafios do mercado de trabalho e para buscar oportunidades de crescimento profissional.

Como jogos como StarCraft e Diablo podem te ajudar a definir os próximos passos da sua carreira profissional

Na trajetória de um profissional, um dos momentos mais almejados e aguardados é aquele em que, após anos de dedicação e aperfeiçoamento, finalmente surge a oportunidade de assumir um cargo de liderança

Porém, se tornar um líder também é algo que pode gerar inseguranças e incertezas. O tino para a gestão nem sempre é inato. E desenvolver essa skill costuma ser um grande desafio para muita gente.  

E onde entram os jogos nisso tudo? Há muito mais em comum entre os videogames e os negócios do que os olhos da maioria podem enxergar. As posições presentes no organograma de uma companhia podem ser muito parecidas com os papéis que um jogador desempenha durante uma partida.

Jogos, assim como a vida profissional, são pautados por escolhas. Assim como um jogador precisa decidir ações decisivas para o seu progresso, um profissional também se vê muitas vezes tendo que optar entre caminhos distintos na carreira. Como, por exemplo, escolher entre continuar sendo um contribuidor individual (tradução do termo em inglês “individual contributor”, usado para descrever pessoas que não direcionam suas carreiras para cargos administrativos ou gerenciais) ou um líder.

Jogar Diablo é como ser um contribuidor individual

Os famosos jogos de RPG (role-playing game) são aqueles em que o jogador controla o personagem como se ele fosse uma extensão de si próprio. O usuário desempenha as tarefas sozinho para ganhar itens e recompensas que o permitam aprimorar seu personagem e desbloquear missões mais complexas e apuradas.

A franquia Diablo é uma das mais populares do gênero RPG.

Nos títulos da franquia Diablo, uma das mais populares do gênero, por exemplo, o jogador assume a identidade de um aventureiro que deve cumprir os diferentes desafios que surgem durante a história do jogo, geralmente centrados em explorar novos territórios, matar monstros e derrotar chefões. À medida em que esses desafios vão sendo cumpridos, o personagem evolui e passa a receber missões cada vez mais avançadas. 

Qualquer semelhança com o curso natural de uma carreira profissional não é mera coincidência. E as correlações não param por aqui. 

Em um RPG, é papel do jogador completar as tarefas com o mínimo possível de interferência externa. Se um monstro está muito difícil de matar, é o jogador quem deve reforçar seus ataques até a derrota do adversário. Dentro de uma empresa, existem diversas situações análogas a essa. Se você recebeu a incumbência de resolver um problema técnico, por exemplo, é possível buscar a orientação de colegas ou especialistas, mas a tarefa de agir para solucionar a questão ainda assim será sua.

Além disso, os RPGs possuem uma mecânica parecida com o processo de capacitação de um profissional. Enquanto de um lado se coletam itens e recompensas que fazem o personagem evoluir, do outro se buscam cursos, treinamentos, workshops, palestras e outras formas de aperfeiçoar suas habilidades e crescer no trabalho.

Outra similaridade está no foco. No RPG, o jogador tem a opção de focar em uma tarefa específica de acordo com suas intenções. Se seu desejo é aumentar o nível de seu personagem ou obter itens mágicos, ele pode continuar matando monstros repetidamente. Do mesmo modo, se um profissional possui uma tarefa que precisa de um pouco mais de foco, é mais fácil se dedicar exclusivamente a ela sendo um colaborador individual do que um líder com diversas outras atribuições para dar atenção.

Jogar StarCraft é como ser um gestor

Diferentemente dos RPGs, os jogos de estratégia em tempo real (RTS) não são centrados em um único personagem, mas em um exército inteiro. Geralmente, são títulos ambientados em um campo aberto onde dois adversários batalham e constroem bases em tempo real. O papel do jogador é desempenhar o papel de líder, criando estratégias para comandar o exército e derrotar o oponente.

Um dos títulos de RTSs mais populares é a franquia StarCraft. As ligações que podem ser feitas entre StarCraft e o ambiente corporativo são tão fortes que vários empreendedores de sucesso já expressaram publicamente sua admiração pelo jogo. Além de StarCraft, também podemos citar a série Age of Empires como exemplo do gênero.

StarCraft é uma franquia de RTS que faz sucesso no mundo dos negócios.

O fato é que há muito em comum entre jogar um game de estratégia em tempo real e desempenhar um papel de liderança profissional. 

Em ambos os casos, o objetivo final nunca é conquistado sozinho. Tanto um jogador de RTS quanto um líder precisam delegar funções e garantir que todos os componentes de seu exército/equipe trabalhem na mesma sintonia para que a batalha/projeto dê certo. Os resultados do trabalho também levam um pouco mais de tempo para serem observados, e a busca de evolução e capacitação não é mais estritamente individual, mas sim visando as habilidades e performances de todos.

Diferente de um jogador de RPG ou um IC, quem joga um RTS ou coordena um time frequentemente se vê responsável por diversas coisas ao mesmo tempo, e as atividades dos dois contextos muitas vezes são equivalentes.

Se numa partida de StarCraft é necessário enviar unidades de trabalho para coletar recursos, numa empresa o líder precisa solicitar orçamentos e fazer headcount. Enquanto as novas unidades do exército do jogo precisam ser treinadas, funcionários recém-contratados também necessitam de orientação. Se de um lado o monitoramento do oponente deve ser constante, do outro é preciso se manter consciente em relação às necessidades de negócios.

Cargos híbridos e intermediários

Dentro das empresas também existem cargos que parecem estar em algum lugar entre o IC e o líder. Tech Managers, por exemplo, costumam dividir seu tempo entre as tarefas comuns de um contribuidor individual e a gestão de um time pequeno. 

No mundo dos videogames há títulos como Spellforce 3, que combina elementos tanto de RPG quanto de RTS. Nesse jogo, o jogador controla um personagem criado por ele e até 3 companheiros, cada um com habilidades diferentes, como nos RPGs. Ao mesmo tempo, alguns mapas requerem a construção de bases de operações e construções avançadas para coletar recursos, além de ser necessário recrutar unidades para lutar contra grupos maiores de inimigos ou completar certas tarefas, situações comuns aos RTSs.

Jogos do gênero japonês Musou são uma espécie de híbrido entre RTS e RPG.

Além desse, há também os jogos do tipo Musou, um gênero de games japoneses em que se controla um personagem muito forte, capaz de lutar contra centenas de inimigos simples. O objetivo das missões quase sempre consiste em ganhar a batalha, encontrar uma rota de escape ou defender alguma fortaleza.

Mas apesar de o jogador ser capaz de controlar apenas um personagem de cada vez e passar a maior parte do tempo lutando sozinho, é possível interagir e instruir outros personagens (geralmente controlados pela própria inteligência artificial do jogo). Essas interações são importantes para o sucesso das missões, já que o jogador está liderando todos em direção ao mesmo objetivo. Mas caso os personagens do jogo não sejam capazes de completar o desafio, o jogador pode entrar em ação para evitar que a derrota aconteça. Percebeu as semelhanças com a administração de uma equipe profissional?

Definir sua vida profissional é como escolher um jogo

Nossa intenção com esse artigo foi mostrar que, tanto em um jogo quanto na vida profissional, não existe exatamente uma escolha melhor ou pior. Existem escolhas diferentes.

Alguns jogadores que são bons em RPGs não necessariamente conseguirão desempenhar bem as missões de um RTS. Porém, também existem alguns com habilidades mais híbridas que podem se destacar nos dois gêneros.

No mundo empresarial, acontece o mesmo: um ótimo IC nem sempre será um grande gestor, e vice-versa. O que não significa que não existam profissionais que se destaquem nas duas posições ou ainda aqueles que ficam confortáveis com um meio-termo.

Em geral, somos levados a crer que passar de IC para gestor é um grande upgrade na carreira. Mas a realidade é que, dependendo do mercado e do perfil do profissional, isso nem sempre é o caso. Não existe uma fórmula certa para atingir os seus objetivos, e isso é uma máxima tanto nos jogos quanto na vida.

Referência

Should I become a manager? Playing StarCraft can help you decide

Como e por que utilizar o Discord nos negócios

Você já ouviu falar em Discord? Lançada em 2015, essa plataforma de comunicação foi inicialmente pensada para o público gamer, com a intenção de facilitar a interação entre os membros de equipes de jogos como Final Fantasy XIV e League of Legends.

Porém, nos últimos anos, os desenvolvedores do serviço têm buscado ampliar sua atuação para além dos games. Atualmente, o Discord é uma plataforma gratuita e livre com recursos de comunicação por meio de texto, vídeo e áudio, além de permitir o compartilhamento de arquivos. Ou seja, um serviço tão completo quanto outros de uso mais disseminado no meio corporativo, como Microsoft Teams, Zoom, Slack ou até mesmo o WhatsApp.

Mas apesar deste reposicionamento, muitas empresas e administradores ainda não conhecem ou resistem em conhecer os benefícios de se ter o Discord tanto como plataforma de comunicação interna quanto como canal de mídia social. Neste artigo, buscamos desmistificar e destacar os benefícios que a plataforma pode proporcionar às empresas.

Do mundo gamer para o universo corporativo

O Discord tem ampliado cada vez mais sua presença no mundo empresarial.

Quando o Discord surgiu, em maio de 2015, logo se tornou um queridinho do meio gamer. Com sua interface intuitiva e amplas possibilidades de customização, a plataforma facilitou como nunca antes a comunicação entre jogadores. 

Mas foi durante a pandemia da COVID-19 que as empresas passaram a olhar o Discord com mais atenção. Com um grande número de pessoas trabalhando de forma remota, a necessidade de uma infraestrutura de comunicação mais robusta se tornou uma necessidade para quase todas as organizações e muitas encontraram no Discord a solução para os seus desafios. 

Ao perceber que estava começando a atrair um público além daquele que a consagrou, a companhia logo deu início ao projeto de se posicionar como um serviço de comunicação capaz de atender a todos, e não apenas a quem joga. Uma das primeiras ações nesse sentido foi mudar seu slogan de “Chat for Gamers” (Chat para Jogadores) para “Chat for Communities and Friends” (Chat para Comunidades e Amigos).

Desde então, a base de usuários do Discord cresceu exponencialmente. Segundo a própria empresa, mais de 150 milhões de pessoas em todo o mundo utilizam o serviço mensalmente. Atualmente, seu site é uma das trinta páginas mais visitadas em toda a web.

Ainda: de acordo o veículo de notícias americano CNBC, 70% dos usuários atuais do Discord usam a plataforma tanto para jogos quanto para outros propósitos. Além disso, o aplicativo é um favorito da Geração Z, justamente a que está começando a ingressar no mercado de trabalho e conquistando poder de consumo.

Implementando o Discord

Dentre os principais benefícios em utilizar o Discord como plataforma de comunicação, está o fato dele ser um serviço gratuito e, apesar disso, livre de publicidade em sua versão básica. Quem deseja recursos como vídeo em alta definição, opções extra de personalização ou enviar arquivos maiores pode contar com a versão Nitro, que é paga assim como outros softwares do gênero.

Além disso, o Discord também possui o diferencial de não cobrar quando um novo usuário é adicionado a um servidor/comunidade, o que facilita quando a empresa está integrando funcionários, por exemplo.

Construindo sua comunidade

O Discord é uma plataforma focada na interação em tempo real entre seus usuários. Por isso mesmo, ela pode ser utilizada para construir uma comunidade on-line de seguidores ou clientes. 

Um ótimo case de sucesso foi o da empresa de fast food americana Jack in the Box durante a San Diego Cominc-Con de 2021. Com o mundo ainda sob o impacto da pandemia do coronavírus, o tradicional evento de cultura pop foi obrigado a realizar uma edição 100% on-line. 

A festa virtual da Jack in the Box foi um dos primeiros cases de sucesso do Discord na seara de negócios.

De olho no engajamento que isso poderia gerar, a Jack in the Box criou um servidor no Discord para promover uma afterparty virtual que contou com distribuição de brindes, canais dedicados a temas de interesse do público e até mesmo um show da banda de temática geek The Aquabats. 

O resultado da ação foi um grande sucesso de engajamento que gerou, de forma personalizada e autêntica, uma enorme visibilidade para a marca durante um período complexo.

Dentro de um servidor do Discord, é possível criar canais exclusivos para eventos, promoções, atividades e discussões, o que mantém o público sempre entretido e com a sensação de fazer parte de uma grande comunidade de consumidores. Essa ideia já foi assimilada há bastante tempo pela indústria dos games, mas ainda engatinha em outros segmentos. Nesse contexto, o Discord pode servir como um ponto de virada cultural dentro da organização.

Conhecendo seu público

Um dos benefícios oferecidos pelo Discord aos negócios que possuem servidores ou comunidades verificadas é o acesso ao recurso Server Insights.

Esse recurso consiste em uma série de dados e estatísticas que podem ser muito úteis para conhecer mais a fundo o público que interage com a organização. As informações incluem:

  • Crescimento e Ativação: de onde os novos membros estão vindo e quantos deles são retidos;
  • Engajamento: o que os membros estão fazendo, quantos usuários estão interagindo e quais canais estão gerando mais atividade. 
  • Audiência: de onde são os membros do servidor e há quanto tempo eles estão por lá;
  • Canais de Anúncios: dados sobre os canais de anúncios criados pela empresa;
  • Tela de Boas-vindas: analytics sobre a tela de boas-vindas do servidor. 

Incentivos e recompensas

Marcas que vendem conteúdo on-line podem utilizar o Discord como forma de recompensar seus clientes. Com o recurso de servidores privados, é possível criar um canal exclusivo para os consumidores interagirem entre si e se manterem em contato constante com a empresa.

Dentro desse canal, também é possível construir um programa de recompensas para a comunidade por meio de questionários, perguntas, e grupos. É como se fosse um prêmio dentro de um prêmio. 

Referência do mercado de luxo, a Gucci também se rendeu ao Discord.

Quer um exemplo prático disso? Uma das marcas de luxo mais conhecidas do mundo, a Gucci, criou uma loja conceito em torno de seu servidor do Discord, o Gucci Vault. Por meio do X (antigo Twitter) a marca convidou seus seguidores a entrarem no servidor. Os vinte primeiros ingressantes ganharam algumas vantagens extras, como o acesso a canais NFT exclusivos.

Apenas nos primeiros dois dias da ação, mais de 28 mil pessoas aderiram ao servidor, um sucesso tão grande que levou a Gucci a contratar uma pessoa especialmente para gerir o Discord da empresa.

Criando experiências de usuário personalizadas

O Discord não possui a gama de anúncios disponível em outras plataformas de mídia social, mas isso é mais do que compensado com o recurso de cargos.

Os cargos do Discord são uma inovação no quesito de oferecer uma experiência personalizada aos consumidores. Eles consistem em uma série de permissões e filtros que, assim como os recursos de Ads das redes sociais tradicionais, possibilitam a segmentação e customização de públicos.

Há muitas formas criativas de aproveitar esse recurso. Uma delas é personalizar as cores e ícones de cada nome de usuário para identificá-los mais facilmente. Outra é filtrar quais tipos de notificações cada consumidor irá receber, garantindo que o usuário veja apenas aquilo que lhe interessa. Também é possível atribuir permissões e controlar o que cada usuário pode ou não fazer dentro do servidor.

Promovendo um evento no Discord

A grande força que move o Discord é, sem dúvida, o seu foco na interação entre pessoas e comunidades. Por esse motivo, ele é uma das plataformas mais adequadas para a realização de eventos virtuais. Há inclusive uma aba no aplicativo que é exclusiva para eles.

Um evento promovido pelo Discord pode ser sobre literalmente qualquer assunto e ter diferentes objetivos. Vejamos o exemplo da rede de restaurantes americana Chipotle, que inovou ao utilizar a plataforma para realizar uma feira de empregos.

Com dificuldade para preencher suas vagas de trabalho, a empresa criou um servidor no Discord especialmente para disponibilizar informações sobre carreiras e recrutamento e colocar possíveis candidatos em contato com a equipe da companhia. Em apenas uma semana, a ação fez com que a Chipotle recebesse mais de 24 mil novas candidaturas de emprego, um aumento de 77%.

Fonte: Business Insider

Mas esse exemplo é apenas a ponta do iceberg. Por meio do Discord, é possível realizar uma ampla variedade de eventos em tempo real. Lançamentos de produtos, workshops, concursos, anúncios de novidades, apresentações de bastidores e até mesmo eventos feitos apenas para divertir e engajar a comunidade são só alguns dos exemplos.

Como impulsionar sua estratégia no Discord com a ajuda da gamificação

Quando falamos em uma plataforma originalmente pensada para gamers, é impossível deixar de lado o aspecto da gamificação. 

Gamificar é utilizar mecânicas, estratégias e elementos comumente encontrados em jogos para outros fins. E um desses fins pode ser o crescimento de uma comunidade no Discord. Isso pode ser feito de diversas maneiras, e abaixo vemos alguns exemplos práticos.

Sistemas de pontos ou recompensas

Essa tática consiste em oferecer pontos para aqueles usuários que mais participam das discussões, compartilham conteúdos relevantes com a comunidade ou completam tarefas que foram propostas. Posteriormente, é possível dar a opção de trocar esses pontos por cargos especiais, acesso a canais exclusivos ou até mesmo prêmios físicos.

Competições e desafios

Essa é outra boa maneira de gamificar um servidor no Discord. Apesar de parecer complexa, essa estratégia pode ser aplicada por meio de iniciativas tão simples quanto um jogo de perguntas e respostas, por exemplo. Além de engajar os usuários, esse tipo de ação cria um senso de competição e aprimoramento que ajuda a mantê-los motivados. 

Leaderboards

Um leaderboard serve para acompanhar e comparar o progresso dos usuários do servidor. Assim como um ranking de jogo, o leaderboard traz dados referentes a pontos, desafios completados ou qualquer outra métrica que o administrador escolher. Ver seu nome estampado no leaderboard pode ser um grande motor de motivação para os membros.

Outras opções

Além das estratégias que mencionamos, é possível incorporar a gamificação ao Discord de outras formas. Integrar elementos de gameplay aos canais para torná-los mais atrativos e interativos também é uma possibilidade. Você pode, por exemplo, utilizar ferramentas como o GarticBot para criar um canal específico para promover jogos entre os usuários.

Utilizar o Discord como ferramenta de negócios, seja para se comunicar internamente ou com os seus clientes, é um campo repleto de possibilidades relativamente inexploradas. Apesar disso, os exemplos e cases que abordamos neste artigo mostram o quanto a plataforma é promissora e capaz de gerar resultados concretos. 

O fato é que o uso do Discord no mundo corporativo é uma tendência que só cresce e não dá sinais de retração. Seu negócio está pronto para essa virada de jogo?

Referências:

What is Discord? The ultimate guide for businesses 

4 Fun Ways to Gamify Your Discord Community and Boost Engagement With examples

Os 8 pilares da gamificação: conheça o Octalysis Framework de Yu-kai Chou

Quando o assunto é gamificação, poucas pessoas no mundo possuem tanta autoridade para falar quanto o empresário taiwanês Yu-kai Chou. Com apenas 37 anos de idade, Chou estuda o tema desde 2003, quando criou uma empresa focada em conectar profissionais por meio de um sistema gamificado.

Em duas décadas de trajetória, Yu-kai Chou conseguiu vencer a resistência de empresários que viam uma possível influência dos jogos no mercado de negócios como algo infantil. Hoje, ele é amplamente reconhecido como um pioneiro da gamificação, tendo compartilhado suas ideias com empresas como HP, Google, Cisco, Uber e Tesla.

Uma das grandes contribuições de Chou para o universo da gamificação foi a criação do Octalysis Framework, uma metodologia desenvolvida após 17 anos de pesquisas sobre gamificação e design comportamental.

Yu-kai Chou, o criador do Octalysis Framework

O objetivo principal do Octalysis Framework é servir como base para a organização de um processo gamificado capaz de cumprir a função de engajar e motivar as pessoas que farão parte dele. Por ser extremamente completo e versátil, ele pode ser utilizado no ensino, no marketing, na gestão de pessoas e em praticamente qualquer outra situação em que haja a intenção ou a necessidade de gamificar algo.

Nos próximos parágrafos, vamos destrinchar cada lado do Octalysis e mostrar como ele pode ser um aliado poderoso na criação de experiências gamificadas instigantes e positivas.

Começando do começo: o que é gamificação?

Nas palavras do próprio Yu-kai Chou, gamificação é aquilo que ele define como Human-focused design, ou seja, um design que foca no fator humano em detrimento de uma abordagem puramente voltada para o lado da funcionalidade e da eficiência.

Chou diz que a maior parte dos sistemas possui uma abordagem centrada no Function-focused design, ou seja, são desenhados unicamente com o intuito de fazer com que uma tarefa seja feita de forma rápida. O Human-focused design, por outro lado, busca engajar as pessoas levando em conta seus sentimentos e aquilo que as motiva.

Gamificação e o comportamento humano

Poucas indústrias dominam tão bem a ideia do Human-focused design quanto a dos jogos. Encontrar maneiras de engajar os jogadores com elementos motivadores é a principal meta dos designers de games. Derrotar chefões, salvar princesas em apuros, acumular itens e passar de fase não são, por incrível que pareça, os objetivos principais de um jogo. O propósito maior desse tipo de entretenimento é simplesmente agradar quem o consome e impulsioná-lo a consumir cada vez mais.  

Jogos são divertidos porque apelam para elementos emocionais que motivam as pessoas a realizarem atividades, seja por se sentirem empoderadas e inspiradas, seja por estarem sendo “manipuladas” e obcecadas por um objetivo. A esses elementos, Yu-kai Chou dá o nome de Core Drives.

Ao perceber tudo isso, o autor começou a mergulhar cada vez mais nesse universo para tentar entender as diferenças entre cada tipo de motivação. O resultado desse mergulho foi o Octalysis Framework, metodologia que hoje é referência mundial quando se fala em gamificação.

Apresentando o Octalysis Framework

Essa e outras imagens que ilustram este artigo foram adaptadas e/ou traduzidas de Yu-kai Chou. Todos os direitos são reservados ao autor original.

O Octalysis Framework foi desenhado pelo próprio Yu-kai Chou como um octógono em que cada lado representa um dos 8 Core Drives da gamificação, as forças motrizes por trás da motivação humana. 

1) Epic Meaning & Calling (Significado Épico)

O primeiro Core Drive do Octalysis é chamado de Epic Meaning & Calling. Como o próprio nome sugere, esse é o Core Drive responsável pelo sentimento de que o jogador está realizando algo grande e épico, maior até do que ele mesmo. 

O Epic Meaning & Calling pode ser observado ou implementado em qualquer momento da jornada; Porém, ele costuma ser mais observado nas etapas iniciais, quando a pessoa está começando a descobrir o jogo e é acometida pela famosa “sorte de principiante”, que frequentemente a faz se ver como possuidora de alguma espécie de dom que ajuda seu desempenho a ser acima da média.

2) Development & Accomplishment (Desenvolvimento e Realização)

O Core Drive número dois é o de Development & Accomplishment. Ele é o principal responsável pela nossa vontade de progredir, desenvolver habilidades e superar desafios. Também é o Core Drive mais fácil de ser aplicado à gamificação, sendo observado, por exemplo, em sistemas de pontuação e recompensas.

3) Empowerment of Creativity & Feedback (Empoderamento da Criatividade e Feeback)

O Core Drive número três diz respeito ao engajamento do jogador em um processo de descobertas e experimentações de coisas novas e diferentes. Jogos também são uma forma de expressão da criatividade, e os usuários gostam e se sentem ainda mais motivados ao ver os resultados dessa criatividade.

4) Ownership & Posession (Propriedade e Posse)

O quarto Core Drive é o da posse. Ao sentir que é dono de algo dentro do jogo, o usuário automaticamente se sentirá motivado a cuidar daquela coisa e se empenhar para torná-la ainda melhor e mais valiosa. 

Sabe aqueles jogos em que um dos principais objetivos é coletar moedas ou acumular itens? Esses títulos são excelentes exemplos da utilização desse Core Drive no design de games.

5) Social Influence & Relatedness (Influência social e identificação)

Os elementos sociais da gamificação estão todos reunidos no Core Drive número cinco. Sentimentos positivos, como aceitação, mentoria, companheirismo e reciprocidade, e negativos, como competição e inveja, estão diretamente conectados a ele.

O elemento motivador deste Core Drive reside no fato de que ele impulsiona o trabalho em grupo, a identificação e uma competição que, nas doses certas, ajuda os usuários a se superarem. Em tempos de presença massiva das mídias sociais, esse Core Drive se tornou um dos mais estudados.

6) Scarcity & Impatience (Escassez e Impaciência)

Quando não podemos ter algo, passamos a querê-lo ainda mais. É isso que diz o Core Drive número seis do Octalysis Framework. Sabe quando um produto ou serviço novo é lançado paulatinamente no mercado e essa escassez faz com que a procura por ele dispare? Esse é um exemplo prático desse Core Drive em ação. Esse sentimento de imediatismo é o que faz com que não consigamos esquecer alguma coisa enquanto não pudermos pôr as mãos nela, seja um produto ou item de jogo, por exemplo.

7) Unpredictability & Curiosity (Imprevisibilidade e curiosidade)

E já que falamos em desejo, o sétimo Core Drive também diz respeito a esse sentimento. Estar envolvido em uma situação e querer saber o que irá acontecer em seguida é uma vontade natural de toda pessoa, e isso também se aplica a um jogo ou qualquer outro sistema gamificado.

Quantas vezes você assistiu um seriado, por exemplo, e a curiosidade de saber o que aconteceria na história o motivou a continuar vendo os episódios? Quando situações como essa acontecem, quer dizer que estamos sob influência direta desse Core Drive.

8) Loss & Avoidance (Perda e Prevenção)

Por fim, o último Core Drive de Octalysis diz respeito ao nosso impulso de fugir se situações que podem nos fazer perder alguma coisa ou nos colocar em uma posição negativa. 

O medo é um dos sentimentos mais primitivos do ser humano e guia, mesmo que de forma inconsciente, uma grande parte das ações que tomamos. Quando jogamos algo, sentimos medo em diversos momentos, inclusive o de perder todo o progresso que conquistamos. É o Core Drive que nos impede de desistir, por exemplo.

Os outros níveis do Octalysis

Tudo isso que acabamos de descrever é apenas o chamado nível 1 do Octalysis Framework. As duas décadas de trabalho de Yu-kai Chou criou um framework em que quanto mais as pessoas avançam, mais avançados são os níveis que elas conseguem alcançar. Coincidência ou não, essa é exatamente a forma como funciona um jogo.

O nível 2 do Octalysis Framework

O segundo nível do framework traz um novo elemento da gamificação à tona: a jornada do jogador, que Yu-kai Chou divide nas quatro etapas abaixo. 

1) Descoberta (por que as pessoas querem começar a jogar?)

2) Onboarding (como ensinar aos usuários as regras e ferramentas do jogo?)

3) Scaffolding (agir de forma cíclica em torno de um objetivo)

4) Endgame (como reter jogadores veteranos?)

O nível 3 do Octalysis Framework

No terceiro nível do framework, Yu-kai Chou revela mais uma faceta que compõe a gamificação. Estamos falando da divisão dos jogadores em quatro tipos diferentes: os Achievers (Realizadores), Explorers (Exploradores), Socializers (Socializadores) e Killers (Matadores).

Essa nova camada oferece a possibilidade de observarmos como diferentes tipos de pessoas se comportam através dos diferentes estágios da gamificação, ajudando a personalizar cada experiência.

O caminho mais longo é também o mais seguro para uma gamificação de qualidade

Aplicar a gamificação em um processo é uma tarefa muito mais complexa do que nossas palavras podem fazer parecer. 

O Octalysis Framework é uma excelente base e ponto de partida, mas gamificar envolve muito mais do simplesmente despejar Core Drives e esperar que eles sozinhos façam seu trabalho de motivar os participantes da dinâmica. Uma gamificação realmente eficiente requer muita análise, estudo, testes e ajustes.

Ter uma equipe que realmente deseja realizar o seu trabalho e ser produtiva é um dos grandes desafios das empresas nos dias de hoje. E a gamificação proposta por Yu-kai Chou pode ser a chave para tornar mais tênue a linha que separa aquilo que as pessoas querem fazer daquilo que elas precisam fazer. Se um dia isso for alcançado, podemos garantir que a qualidade de vida e sociedade como um todo serão muito gratas aos jogos.

Fonte: The Octalysis Framework for Gamification & Behavioral Design

Jogos na educação de negócios – como transformar games em ferramentas de aprendizagem

Diversão, entretenimento e socialização costumam ser as primeiras palavras que vêm à mente quando falamos sobre jogos. Mas é possível ir além, utilizando, inclusive, os jogos na educação de negócios.

Métodos como a gamificação e o game-based learning adotam os games para um fim diferente dos objetivos recreacionais para os quais eles foram originalmente pensados. Por meio dessas metodologias, jogos ganham o poder de alterar e influenciar o comportamento de um indivíduo, além de educá-los sobre conceitos e assuntos. Isso é especialmente útil no segmento profissional e de negócios, que cotidianamente encontra dificuldades em treinar e capacitar pessoas.

Além de existirem jogos especialmente desenvolvidos para esse contexto, é possível pegar um título feito originalmente para entreter e adaptá-lo para educar. Mas como fazer isso? Essa é uma dúvida que muitos possuem e é a pergunta que queremos responder com este artigo.

Afinal, por que usar jogos na educação de negócios?

Jogos na educação de negócios são uma maneira de impulsionar o aprendizado de novos conceitos.

Existe uma razão principal pela qual as pessoas jogam: jogos são divertidos. A metodologia game-based learning (em bom português, aprendizado baseado em jogos) tira vantagem dessa diversão ao transformá-la em experiências que ajudam pessoas a desenvolverem conhecimentos e habilidades úteis para a vida, principalmente a profissional. 

A aplicação dos jogos na educação de negócios frequentemente começa em pegar um jogo e adaptá-lo para que se torne um meio de ensino e aprendizado. A intenção é que essa não seja uma iniciativa temporária ou isolada, mas sim parte de uma abordagem de ensino e treinamento mais holística. Da mesma forma, os jogos não vêm para substituir as formas de orientação tradicionais, mas sim complementá-las.

Em suma, podemos dizer que essa metodologia se baseia principalmente no aprendizado por meio da experiência. Por meio dos jogos, é possível ensinar conceitos na prática em um ambiente onde, diferentemente de uma empresa real, os erros não apenas são corrigíveis como também toleráveis. 

Além disso, o uso de jogos é capaz de tornar o processo de aprendizagem muito mais motivador, divertido e, graças à sua enorme gama de formatos e modalidades possíveis, versátil.

Desafios para a aplicação

Antes de escolher um jogo para utilizar em um curso ou treinamento, é preciso levar alguns fatores em consideração. O primeiro é analisar se o jogo cogitado é adequado ao público e ao conteúdo que vai ser ensinado.

Outro desafio é lidar com as noções pré-concebidas que a maioria das pessoas têm sobre jogos. O participante de uma dinâmica de game-based learning pode chegar esperando algo que não necessariamente será aquilo que ele irá encontrar.

Além disso, os jogos não são uma ferramenta de ensino linear, mas sim um processo com final aberto baseado na experimentação e na interação. Por isso, a flexibilidade deve ser uma característica presente tanto em quem ensina quanto em quem aprende.

Adaptando jogos de forma estratégica

Apesar desses desafios, há vários caminhos viáveis para transformar jogos em legítimas ferramentas de ensino. Um deles é selecionar um título que seja de fato adequado ao público que se deseja ensinar, seja do ponto de vista pessoal ou profissional. 

Dinâmicas típicas dos jogos, como cooperação e competição, podem proporcionar uma experiência capaz de transformar a relação entre a pessoa que está aprendendo e o conteúdo que está sendo ensinado. Experiência essa que pode surpreender quem está acostumado com abordagens de ensino tradicionais.

O papel do educador nesses casos é garantir que o contato com o ensino baseado em jogos seja o mais orgânico possível. Uma boa maneira de se fazer isso é começar a explorar o método com a aplicação de atividades mais simples para depois partir para desafios mais complexos.

O uso de histórias e narrativas também é uma maneira eficiente de integrar os jogos ao ambiente de aprendizagem. De qualquer forma, é preciso ter em mente que, a partir do momento em que um game é escolhido para ser usado em um contexto de aprendizado, entreter deixa de ser o seu foco principal. Os objetivos do jogo devem estar alinhados com o que se deseja ensinar, e não o contrário.

Exemplos práticos para aplicar o game-based learning

O número de jogos que podem ser adaptados para uso como ferramenta educacional só é limitado pelo número de jogos existentes no mercado. Porém, a maneira mais fácil de se implementar uma abordagem de ensino baseada em games é utilizar títulos com premissas mais familiares aos jogadores. 

Como mencionamos no tópico anterior, escolher um jogo para fins de ensino e treinamento envolve, principalmente, se certificar de que o enredo, design, mecânicas, jogabilidade e objetivos do mesmo estejam de acordo com o conceito ou conteúdo que se deseja passar.

Por exemplo: se a intenção é ensinar a habilidade de administrar um negócio em meio a um ambiente extremamente competitivo e hostil, o jogo de RTS StarCraft 2 é uma ótima opção de jogo para ser utilizado no método. 

Agora, se o objetivo for treinar habilidades mais comerciais, como negociação, supply chain, precificação, vendas e investimentos, um bom aliado pode ser o MMORPG de mundo aberto World of Warcraft.

Jogos de simulação de negócios, por outro lado, podem fornecer experiências ainda mais parecidas com as do meio corporativo real. Títulos como Two Point Hospital, Capitalism II e Planet Coaster colocam o jogador no comando de empresas de segmentos que também existem na realidade, ensinando tarefas rotineiras e muitas vezes complexas de forma prática.

Além dos videogames, há também os jogos de tabuleiro, que ajudam a aprimorar a cognição e podem ser relacionados a conceitos de negócios como trade-offs, investimentos e skills analíticas.

Por fim, as plataformas on-line gamificadas, como a Kahoot e a Quizizz, também são uma possibilidade para ensinar diferentes modalidades de uma forma leve e instigante.

Avaliando o aprendizado por meio de jogos

As avaliações dentro do game-based learning devem ser utilizadas tanto para medir tanto o desempenho dos participantes quanto para determinar a efetividade da dinâmica. Alguns tipos são mais fáceis de ser implementados, como testes e questionários que desafiam os alunos a aplicarem na prática as habilidades que aprenderam.

Outros tipos de conteúdo, por sua vez, podem pedir que os participantes passem por desafios que, alinhados com os temas do jogo, exige que eles apliquem seus novos conhecimentos. 

O fato é que no game-based learning, a avaliação do aprendizado é uma tarefa muito mais complexa do que seria no contexto de uma metodologia tradicional. Por mais que os jogos sejam excelentes em desafiar os jogadores a colocar suas habilidades à prova e desenvolver novas, é preciso também saber medir de forma concreta o quanto um jogo é capaz de se conectar com o assunto que se busca ensinar.

A intervenção de quem ministra o conteúdo, seja um professor ou mentor, também é muito importante para assegurar o engajamento e a evolução do jogador/aluno. É muito fácil, principalmente para um jogador mais inexperiente, se sentir desanimado e até mesmo incompetente quando a progressão do jogo se torna mais lenta ou quando ele fica “preso” em um certo ponto do game.

Os instrutores podem se aproveitar de situações como essa para fazer ligações entre o que acontece no jogo e o que pode ser tirado daquilo. Esse tipo de abordagem é valiosa para incentivar o jogador a tentar táticas diferentes e aprender a partir de suas próprias falhas. 

O futuro da metodologia de ensino através dos jogos reside em uma adaptação dinâmica dos games às necessidades e características dos estudantes. Isso é mais fácil de ser obtido por meio de jogos digitais, que são capazes de detectar e se adaptar aos comportamentos do jogador e igualar seu nível de habilidade com desafios apropriados que os ajudam a maximizar o aprendizado. 

Como você viu, adaptar um jogo para que ele se transforme em uma verdadeira ferramenta de ensino de negócios é uma tarefa que pode ser muito desafiadora, mas que costuma gerar ótimos resultados quando realizada da maneira correta. 

A metodologia de game-based learning oferece possibilidades praticamente ilimitadas. Explorá-la pode ser a resposta para os desafios que muitas empresas enfrentam para ensinar conceitos, soft skills e hard skills para os seus colaboradores. Que tal apertar o start e se familiarizar com essa forma de desenvolvimento profissional?

Soft skills – como os gamers estão virando o jogo e se destacando no mercado de trabalho

Estima-se que, dia após dia, aproximadamente 2,5 bilhões de pessoas em todo o mundo reservam alguns minutos ou horas de sua rotina para jogar algum jogo. A indústria de videogames é uma das mais lucrativas que existem. Só no Brasil, ele movimenta em torno de R$13 bilhões por ano.

Com uma comunidade tão grande assim, é natural que os gamers sejam uma parcela considerável dos atuais profissionais e candidatos a vagas de emprego. E as experiências que essas pessoas adquirem jogando podem ser muito valiosas para seus perfis enquanto colaboradores.

Jogos eletrônicos são um campo amplo e cheio de possibilidades para o aprendizado de soft skills. As comunidades gamers são extremamente ativas em todo o planeta e seus membros, muito por causa do tempo que já passaram e passam jogando, costumam possuir a combinação de qualidades mais visada pelos recrutadores: competências digitais e habilidades sociais.

Afinal, o que são soft skills? E por que elas são tão importantes?

Soft skill é um termo utilizado por profissionais de recursos humanos para definir as habilidades comportamentais de um indivíduo. Inteligência emocional, empatia, ética, comunicação, liderança, criatividade e resolução de conflitos são alguns dos principais e mais valorizados exemplos.

Em um mundo cada vez mais colaborativo e voltado para uma cultura que valoriza o trabalho em equipe, esse tipo de diferencial se tornou um elemento fundamental dentro do ambiente corporativo. 

Na maioria dos processos seletivos atuais, as soft skills de um candidato são tão levadas em conta quanto sua formação acadêmica, experiências anteriores e conhecimentos técnicos.

Mas ao mesmo tempo em que as empresas dão muito valor às soft skills, muitas delas sentem dificuldade em ensiná-las. Isso porque, diferentemente das hard skills, que são habilidades técnicas facilmente desenvolvidas por meio de treinamentos e cursos, elas estão atreladas à personalidade de cada um e não são facilmente mensuráveis.

E onde entram os jogos?

Videogames são uma poderosa ferramenta para adquirir e treinar habilidades. O ato de jogar ajuda nosso cérebro a criar melhores modelos cognitivos, estimulando o aprendizado contínuo e lapidando nossa capacidade de prever e reagir a situações novas e inesperadas.

Gamers ao redor do mundo têm levado suas soft skills para o mercado de trabalho.

Embora alguns ainda não entendam (ou não queiram entender), o universo dos jogos é muito parecido com o dos negócios. Aptidões necessárias para a convivência e eficiência em um ambiente corporativo, como cooperação, pensamento estratégico e consciência das próprias escolhas e suas consequências.

O processo de ensinar conceitos e habilidades por meio de jogos tem até um nome próprio: gamificação, uma metodologia adotada tanto por instituições de ensino quanto por empresas com um olhar mais aberto.

A Nestlé, por exemplo, aplica a gamificação nas primeiras etapas de seu processo de seleção de trainees. Diferente do que acontece tradicionalmente, os recrutadores só avaliam o currículo dos candidatos no final do processo. A intenção é reconhecê-los não só pela jornada acadêmica, mas também por suas competências.

Há também no mercado uma crescente valorização do profissional que joga videogames. A Komplett, empresa norueguesa de e-commerce, por exemplo, decidiu reforçar seu time de atendimento contratando funcionários gamers capazes de realizar múltiplas tarefas e trabalhar em vários canais. Além disso, a companhia constatou que muitos jogadores possuíam uma habilidade natural para liderar, o que fez com que muitos deles atingissem cargos de gestão.

Os tipos de jogos e as skills de negócios inerentes a cada um

Uma das melhores coisas em utilizar jogos para desenvolver habilidades profissionais é a ampla variedade de gêneros e opções. Há, inclusive, jogos desenvolvidos especialmente com a intenção de simular a realidade dos negócios. Porém, eles não são os únicos que podem ser integrados ao mundo corporativo, e os exemplos abaixo provam isso.

Jogos de estratégia, quebra-cabeça e quiz

StarCraft 2

Games desse gênero ajudam a desenvolver skills de planejamento, criatividade, concentração e persistência. Esse tipo de jogo exige táticas bem pensadas de resolução de problemas, o que aprimora a capacidade do jogador de pensar de maneira crítica e analítica. Exemplos de games do tipo incluem League of Legends, StarCraft, Portal e Dota.

Ação, aventura e RPG

Fortnite

Títulos baseados na ação, em especial os que oferecem o modo multijogador, refletem as nossas relações sociais. Por isso, eles auxiliam na lapidação de skills como colaboração, trabalho em equipe, comunicação, deliberação e tomada de decisões. Dentre os jogos mais populares do gênero estão os fenômenos mundiais Fortnite e Overwatch e o clássico Tomb Raider.

Mundo aberto

Minecraft

Jogos de mundo aberto são aqueles em que o jogador consegue circular livremente e explorar aquele universo virtual onde está inserido. Isso ajuda a aprimorar a percepção social e, principalmente, desenvolve a capacidade de visualizar o movimento de objetos no espaço, uma skill fundamental para profissionais das áreas de ciências e engenharia. Um grande exemplo de game do gênero é o famoso Minecraft. 

Jogos em equipe, de esportes e corrida

Need For Speed

Esse tipo de jogo é uma boa alternativa para quem deseja ou precisa desenvolver suas skills de planejamento, tática, colaboração, avaliação de sistemas, enfrentamento de adversidades e consciência espacial. As opções disponíveis são inúmeras e incluem títulos consagrados como as franquias Need For Speed, focada em corridas de rua, e FIFA, que coloca o jogador para defender grandes times de futebol.

Música e dança

Just Dance

Há um elemento comum a quase todos os tipos de jogos, mas que salta ainda mais aos olhos em títulos de música e dança: a necessidade de praticar e se aprimorar sempre.

Isso porque esses títulos costumam ser os mais difíceis de se vencer logo na primeira tentativa. E é justamente na capacidade de aprendizagem aliada ao desejo de evoluir que reside a principal lição ensinada por eles. Esperar a perfeição leva à frustração e ao insucesso. Por outro lado, a persistência e a prática levam a níveis mais altos. Essa é a principal lição de jogos como Just Dance e o sucesso dos anos 2000 Guitar Hero. 

Hora do start

Com a era digital a pleno vapor, as empresas não podem mais fechar os olhos para as inúmeras possibilidades que a tecnologia proporciona. E isso também inclui olhar com mais atenção para os jogos. 

Como pudemos ver com muita clareza nos tópicos deste artigo, jogar videogame já não é mais uma simples brincadeira de criança. Os jogadores de hoje também são profissionais atuantes no mercado de trabalho. E é justamente na vivência deles com os jogos que reside seu maior diferencial: enquanto muitas empresas têm dificuldade em treinar as habilidades comportamentais de seus colaboradores, os gamers já as desenvolveram jogando.

A demanda por pessoas cada vez mais prontas e qualificadas é uma tendência que não deve recuar. E se aproximar do universo dos jogos pode ser uma ótima forma de se preparar para sua próxima partida profissional. 

O que os jogos de tabuleiro têm a ensinar sobre negócios

Jogos de tabuleiro estão presentes na vida das pessoas desde tempos remotos. Senet, o jogo de tabuleiro mais antigo já registrado, tem sua origem traçada ao ano 3100 a.C., época da Primeira Dinastia dos faraós egípcios.

Com o passar do tempo, os jogos foram evoluindo junto com a humanidade. Atualmente, eles são utilizados como forma de entretenimento e também servem de ferramenta de aprendizado, capacitação e desenvolvimento.

A relação entre jogos de tabuleiro e os negócios pode ser traçada desde o início do século passado.

A relação entre os jogos de tabuleiro e a educação é antiga. Monopoly (também conhecido no Brasil como Banco Imobiliário), por exemplo, foi pensado inicialmente como uma ferramenta educacional. Sua criadora, a designer de jogos americana Lizzie Magie, o desenvolveu no início dos anos 1900 com a intenção de ensinar sobre o Georgismo, uma antiga doutrina econômica da qual era adepta. Ao longo dos anos, Monopoly foi se modificando e perdendo seu cunho original. A versão que conhecemos hoje começou a ser comercializada na década de 30 é um dos jogos mais populares do mundo, tendo vendido 275 milhões de cópias até 2015.

Entretanto, as alterações sofridas por Monopoly ao longo dos anos não eliminaram completamente seu valor educativo. O jogo ainda é capaz de ensinar e exemplificar conceitos e processos relevantes para os negócios, como ROI e, é claro, a arte de negociar.

A aprendizagem por meio de jogos de tabuleiro pode ser tão eficiente que já foi empregada até nos momentos mais críticos. Chester W. Nimitz, Comandante Supremo das Forças do Pacífico dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, chegou a dizer que os jogos tiveram um papel importante na preparação tática e estratégica do exército antes e durante a guerra.

Neste artigo, vamos destrinchar um pouco a utilização dos jogos de tabuleiro na educação de negócios. Tome seu lugar no time e explore esse universo conosco.

Aprendendo a enxergar o todo

O tabuleiro de um jogo é como uma grande visão geral, o todo, o cenário onde a ação se desenrolará. Nenhum detalhe está ali por acaso e uma boa leitura deles é fundamental para o desempenho do jogador.

No mundo corporativo, não é raro encontrarmos profissionais que se isolam em seus próprios casulos, não interagem, não vêem o que acontece no restante da empresa e muito menos entendem o impacto que suas ações podem ter nos outros. É um comportamento arriscado, especialmente para quem desempenha cargos de administração e liderança. 

Em cenários como esse, uma dinâmica baseada em jogos de tabuleiro pode ser uma maneira eficiente de desenvolver olhares mais amplos e até mesmo mais empáticos entre a equipe. 

Mapeando investimentos

Descobridores de Catan é um jogo que possui diversas relações com o mundo dos negócios.

Na maioria dos jogos de tabuleiro, podemos observar uma complexa cadeia de relações e imprevisibilidades muito parecida com a que existe no mercado empresarial.

Voltemos ao jogo que abordamos na introdução deste texto, Monopoly. Quando um jogador de Monopoly compra, por exemplo, um hotel, ele, ao invés de esperar meses até começar a obter algum retorno sobre seu investimento (como ocorreria no mundo real), começa a lucrar assim que outro participante cai com sua peça no lugar em que a propriedade está localizada. Essa situação é uma ilustração clara da relação que há entre investir e lucrar com o investimento. 

Outros jogos também trabalham com a ideia de investir em ativos e receber uma recompensa mais tarde por aquele investimento. Em Descobridores de Catan, por exemplo, o jogador deve coletar recursos (representados por cartas) para construir estradas e alojamentos. Posteriormente, várias dessas cartas podem ser trocadas por itens de desejo do participante, em mais um grande exemplo de ROI (retorno sobre o investimento).

Entendo as particularidades dos trade-offs

Dentro de uma empresa, limitações de tempo e dinheiro são empecilhos comuns na hora de obter recursos. Por esse motivo, muitos negócios recorrem à prática do trade-off, que consiste em optar por uma coisa em detrimento de outra. Saber fazer trade-offs de forma inteligente costuma ser uma skill valorizada em cargos como liderança, supervisão e vendas.

Esse processo é constantemente emulado pelos jogos de tabuleiro. Em uma partida de xadrez, por exemplo, o jogador pode ter que trocar um peão por uma posição melhor no tabuleiro ou, em casos mais extremos, precisar se desfazer de uma peça valiosa (a rainha, por exemplo) para proteger o rei.

Tanto em um jogo quanto em situações corporativas, cada decisão deve ser vista e analisada de todos os ângulos possíveis antes de ser tomada. Porém, nos dois contextos, a lição ensinada é a mesma: em algum momento, um trade-off precisará ser feito independentemente da vontade do responsável.

Além de Monopoly: outros jogos de tabuleiro e as skills de negócios que cada um ensina

Monopoly, o jogo que abordamos no início do nosso texto, é, sem dúvidas, um dos primeiros que vêm à mente quando pensamos na relação entre jogos de tabuleiro e empreendedorismo. Mas ele não é o único.

Imagem & Ação, adaptação brasileira do popular jogo americano Pictionary, por exemplo, ajuda a desenvolver duas habilidades muito valorizadas no meio dos negócios: capacidade de análise e observação, criatividade e empatia. 

Já em Ilha Proibida, os quatro jogadores devem se unir para lutar não contra si mesmos, mas contra o próprio jogo. Cada um possui um papel específico com seu próprio conjunto de habilidades, mas também deve aceitar a ajuda dos outros para chegar à melhor decisão para o grupo. Se todos trabalharem juntos, a vitória é muito provável. Mas se o time não estiver em sintonia para coletar todos os tesouros antes que a ilha seja tomada pelas águas, todos acabam perdendo. Uma lição básica e divertida como trabalhar em equipe.

Power Grid é outro jogo de tabuleiro com inspiração direta no mundo dos negócios. Seu objetivo é que o jogador administre uma estação de energia elétrica, balanceando a manutenção da infraestrutura já existente e o investimento em novas e mais eficientes tecnologias, um desafio comum à maioria dos empreendimentos.

Cranium, por sua vez, não tem uma premissa diretamente ligada aos negócios, mas também nos ensina uma lição ao mostrar que cada um possui seus pontos fortes e pode contribuir com o todo. Mensagem parecida com a de Trivial Pursuit, jogo que exemplifica o quão valioso é ter um time diverso em termos de visões e conhecimentos.

Como você pôde ver, jogos de tabuleiro são muito mais que uma simples forma de espantar o tédio em uma noite chuvosa com os amigos. Por meio deles, é possível aprender sobre tópicos complexos e desenvolver habilidades muito visadas pelo mundo dos negócios.

Além disso, jogos de tabuleiro são uma ferramenta versátil. É possível, inclusive, desenvolver jogos personalizados para as necessidades de cada empresa. Se a organização identifica a necessidade de aprimorar a proatividade de seus colaboradores, por exemplo, ela pode criar um jogo voltado para essa skill.

E você, já passou pela experiência de aprender sobre negócios por meio de jogos de tabuleiro? Compartilhe sua perspectiva com a gente.

7 jogos de simulação de negócios para alavancar o aperfeiçoamento profissional

Quando a maioria das pessoas escuta a palavra “jogos”, logo pensa em entretenimento, diversão e hobby. Os games de fato proporcionam tudo isso, mas não apenas.

Jogos de todos os tipos são utilizados para fins que vão muito além do passatempo. Um desses fins é o aprendizado e capacitação de profissionais. Nesse contexto, universos fantásticos ensinam lições sobre liderança e economia, batalhas interestelares servem de exemplo para empreendedores e as táticas de um jogo de tiro ajudam negócios a mirar mais certeiramente em suas estratégias.

Existe também um tipo de jogo cuja ligação com o mundo corporativo é ainda mais estreita. Estamos falando dos jogos de simulação de negócios, que, como o próprio nome já sugere, colocam seus jogadores no comando de empresas fictícias e os desafiam a criar estratégias que levem suas empreitadas ao sucesso.

Jogos de simulação de negócios podem ser utilizados para desenvolver skills.

Apesar de muitos terem sido desenvolvidos com o objetivo inicial de entreter, esses jogos são altamente valiosos para a área de negócios (do mundo real). Muitas vezes, o cotidiano corporativo pode ser estressante e cansativo. Jogos de simulação oferecem aos profissionais a chance de aprimorar suas skills em um ambiente mais leve e seguro, onde o risco de errar existe mas carrega poucas consequências.

4 vantagens de incluir os jogos de simulação na rotina

1) Prática de soft skills

Jogos de simulação de negócios permitem que um profissional ponha em teste suas habilidades sem arriscar sua posição profissional. É possível praticar skills como comunicação e liderança e até mesmo cometer erros que não terão real impacto na sua carreira.

2) Aprimoramento de hard skills

Além das soft skills, os jogos de simulação são ótimos para treinar hard skills específicas de certos segmentos ou funções. Há uma enorme variedade de títulos disponíveis no mercado atualmente, cujos temas vão da gestão hospitalar à influência digital.

Reprodução: Núcleo do Conhecimento

3) Team building

Team building (ou, em tradução livre, formação de equipe) é um nome que se dá a diversas atividades que são promovidas por empresas com o objetivo de fortalecer a integração entre a equipe.

Jogar jogos que simulam estratégias de negócios é uma maneira descontraída e produtiva de fazer com que pessoas de distintas personalidades e visões se unam em torno de objetivos em comum.

4) Espairecer 

Para um profissional apaixonado, deixar o escritório para trás no final do dia nem sempre é uma tarefa simples. Jogos de simulação podem ser uma ótima ferramenta para ajudar esses profissionais a espairecer sem deixar o seu lado profissional de lado. 

7 títulos para mergulhar no universo dos jogos de simulação de negócios

Atualmente, o gênero de simulação de negócios conta com centenas de títulos disponíveis. De segmentos específicos a sistemas econômicos inteiros, é possível controlar uma infinidade de situações diferentes e desenvolver uma ampla gama de skills. Abaixo, reunimos 7 deles que podem ser boas opções para quem deseja dar o seu start nesse universo.

1) Planet Coaster

Construir e gerenciar seu próprio parque de diversões. Essa é a principal premissa e objetivo de Planet Coaster. Lançado originalmente em 2016, esse game coloca o jogador na pele de um administrador que deve trabalhar para que seu parque seja bem-sucedido.

Apesar de emular um segmento de mercado específico, Planet Coaster traz situações universais do mundo dos negócios: obter o melhor produto (atrações), atrair clientes (visitantes), administrar orçamentos muitas vezes apertados e gerar o máximo de lucro possível.

2) Youtubers Life 2

Apesar de ser uma profissão relativamente nova, os youtubers e criadores de conteúdo digital já possuem um jogo de simulação para chamarem de seu.

Lançado em 2021, Youtubers Life 2 é a continuação/atualização de um título de 2016. O objetivo aqui é administrar um canal do YouTube de forma que o mesmo se torne lucrativo. Trata-se de um verdadeiro mergulho em um dos segmentos mais rentáveis da atualidade, o da influência digital. O jogador começa da estaca zero, com equipamentos modestos e sem uma grande base de seguidores, e é desafiado a galgar seu caminho rumo à fama virtual, com todos os processos que isto envolve.

3) Crossroads Inn

Um dos títulos mais curiosos da lista, Crossroads Inn é um jogo que funde dois gêneros populares: simulação e fantasia.

Ambientado em um mundo fantástico medieval semelhante ao dos RPGs, o game dá a seus jogadores a missão de criar, administrar e expandir sua própria taverna. Isso inclui montar o ambiente, definir os serviços e menu e tudo mais que envolva a satisfação dos clientes – viajantes que vêm de lugares distantes.

4) Transport Fever

Transport Fever é, ao mesmo tempo, um exercício de administração de negócios e uma viagem pela história dos meios de transporte.

O jogo começa em 1850, época em que os trens e ferrovias predominavam. À medida que o jogador avança, aviões, automóveis, portos, rodovias e aeroportos começam a surgir. O objetivo é se tornar um magnata da área, construindo redes de transporte complexas e lucrando por meio delas.

5) Rise of Industry

E já que estamos falando de tempo e história, não podemos deixar de mencionar Rise of Industry.

Situado na primeira década do século XX, Rise of Industry desafia os jogadores a construírem seu próprio império industrial em uma época em que o conceito de industrialização ainda estava começando a se formar. Além de skils, o jogo ensina que, por mais que o tempo passe, há elementos do mundo corporativo que se preservam: a necessidade de saber negociar e o faro aguçado para novas oportunidades.

6) Motorsport Manager

Jogos de corrida são um gênero popular desde o surgimento dos videogames. Mas e se os jogadores pudessem guiar além do volante? É essa a proposta de Motorsport Manager, um jogo em que o objetivo principal não é correr, mas sim administrar um time de corrida de alta performance.

A experiência oferecida por Motorsport Manager é ampla e detalhada. Na posição de gestor, o jogador deve contratar pilotos capacitados, construir carros potentes e até mesmo participar de decisões relacionadas às regras e regulamentos do esporte. Ou seja, uma verdadeira imersão no mundo dos negócios esportivos.

7) Game Dev Story

Para encerrar nossa seleção, que tal um jogo que simula justamente a carreira de um desenvolvedor de jogos?

Game Dev Story coloca o jogador no comando de um estúdio de jogos pequeno, mas com uma grande aspiração: criar um título que venda milhões. Ou, quem sabe até, o seu próprio console.

Com gráficos que emulam a estética 16-bits de aparelhos clássicos como Super Nintendo e Mega Drive, o game engloba todos os aspectos da produção de um jogo: contratação e treinamento de pessoal, montagem de escritório, desenvolvimento, divulgação, licenciamento e participação em convenções. Além disso, há diversas referências a consoles e eventos que fizeram parte da história dos jogos eletrônicos, o que ajuda a engajar os mais nostálgicos.

Como você viu, jogos de simulação de negócios podem ser muito mais do que simples ferramentas de entretenimento. Com o foco e direcionamento corretos, esses títulos podem ser utilizados para potencializar as skills profissionais de quem ocupa ou deseja ocupar posições de administração e liderança.

Além dos títulos que mostramos nesse artigo, existem muitos outros disponíveis no mercado, cada qual com seu tema e particularidades, mas todos com uma coisa em comum: a proposta de fazer entretenimento inspirado e que inspire a vida real. E você, já explorou algum jogo do tipo?

O que as raids de World of Warcraft podem ensinar sobre administração de negócios e liderança

Administrar um negócio pode ser uma tarefa um tanto quanto complexa. O gestor perfeito costuma ser descrito como alguém que detém um conjunto de soft skills e hard skills que o torne capaz de planejar, resolver problemas, cuidar de orçamentos, mitigar riscos e administrar o tempo. Tudo isso além, é claro, de ser comunicativo, conciliador, empático, adaptável e saber negociar.

É um desafio grande e até mesmo intimidador. Encontrar alguém com tantas qualidades assim é algo extremamente raro. Profissionais como esses costumam ser especialmente valorizados pelo mercado de trabalho.

Felizmente, essas skills são, em grande parte, treináveis, seja por meio de cursos, leituras e até mesmo jogos.

Desde sempre, os jogos virtuais são criticados por supostamente influenciarem uma série de problemas sociais, do sedentarismo dos jovens a atos de violência. Porém, quem enxerga o tema para além do superficial logo percebe que não só essas acusações são infundadas como também os jogos trazem inúmeros benefícios para quem os joga.

São muitos os estudos que comprovam o papel eficaz dos jogos no aprimoramento de capacidades cognitivas como foco, atenção, raciocínio e memória. Características essas que são importantes em um bom administrador.

World of Warcraft e sua relação com a administração de negócios

World of Warcraft é um dos jogos mais populares do mundo. O MMORPG (Massively Multiplayer Online Role Playing Game) desenvolvido pela empresa Blizzard Entertainment conta com milhões de jogadores espalhados pelo pelo planeta.

Ao entrar no jogo, esses jogadores devem escolher um personagem e controlá-lo por um mundo extremamente amplo e repleto de atividades e eventos. Um desses eventos são as famosas “raids”. 

Raid no mundo dos games, especialmente em MMORPGs (Massively Multiplayer Online Role-Playing Games), é uma missão ou atividade em grupo que envolve jogadores unindo forças para derrotar inimigos poderosos ou completar desafios complexos. Raids, são consideradas como incursões ou ataques coordenados realizados por uma equipe que, geralmente, requerem estratégia, liderança e habilidade elevada de execução, com a finalidade de obterem recompensas valiosas.

Dentro do universo de World of Warcraft, uma raid é um evento onde um grupo de jogadores (geralmente entre 5, o número mínimo, e 40 pessoas) se reúnem para derrotar certos chefões. O que isso tem a ver com administração de empresas? Muito. Toda raid possui um líder e as skills que são colocadas em prática nesse tipo de situação são muito parecidas com as que um gestor emprega em seu dia a dia.

Tais “raids” dos jogos eletrônicos têm algumas semelhanças interessantes no contexto empresarial, como por exemplo: estratégias e dinâmicas no mundo dos negócios.

Logo abaixo, estão alguns pontos em que essas atividades se assemelham ao ambiente empresarial:

Planejamento

A maioria das raids envolvem os jogadores tendo que aderir a uma série de táticas para terem mais chances de vencer. Esse plano quase sempre é criado e apresentado pelo líder antes do início da raid. Dentro de uma empresa, o processo de planejamento se desenrola basicamente da mesma maneira.

No mundo dos negócios, o sucesso de projetos ou o lançamento de novos produtos também depende de planejamento estratégico e análise cuidadosa do mercado e da concorrência.

Resolução de problemas

Durante uma raid, os problemas devem ser resolvidos de forma rápida e com a cabeça do líder fria e imune aos calores do momento. No jogo corporativo, a irracionalidade também não costuma gerar resultados positivos.

Os gestores mais admirados são justamente aqueles que conseguem encontrar o balanço perfeito entre rapidez e racionalidade em sua tomada de decisões.

Agendamento

Apesar da imagem do gamer que passa o dia inteiro em casa na frente de um monitor ser um estereótipo idealizado por muitos, jogadores de World of Warcraft são pessoas comuns com vidas comuns. 

Isso significa que, além de jogar, suas rotinas envolvem atividades como trabalho, estudo e tempo com a família e amigos. Por esse motivo, é essencial que o líder de uma raid seja alguém que saiba planejar o evento de uma forma que todos os membros do grupo se adequem à agenda do time. 

A mesma coisa acontece com frequência no ambiente empresarial. Colaboradores têm compromissos individuais e de equipe, e cabe a cada membro cuidar das suas prioridades para o rendimento e a comunicação do time fiquem dentro do nível de performance esperado.

Gestão de equipes e liderança

O grupo que executa uma raid frequentemente se encontra em situações que ameaçam o sucesso de sua empreitada. O papel do líder é avaliar esses riscos e tomar a decisão mais inteligente possível para superá-los. Um raid líder geralmente sabe como organizar e fazer uso das competências e habilidades de cada membro.

A rotina corporativa também é repleta de riscos e situações de incerteza que exigem uma análise meticulosa por parte dos gestores. As raids exigem uma coordenação de equipe e liderança eficaz para superar desafios complexos, assim como no ambiente empresarial, onde o trabalho em equipe e uma liderança forte são cruciais para o sucesso de projetos e para alcançar metas de negócios

Ser líder de uma raid no jogo pode ser um treino valioso para lidar com esses momentos decisivos da vida real.

Gestão de tempo

O tempo que os jogadores conseguem dedicar a uma raid varia muito e pode ser curto em muitos momentos. Para conseguir extrair o melhor de seu time, o líder deve aguçar sua habilidade de administrar o tempo. Garantir que o que deve ser feito será realizado no momento certo e definir pausas para descanso são algumas das atribuições relacionadas a essa skill.

No mundo dos negócios, tempo é dinheiro. Por causa dessa máxima, a skill de gestão de tempo costuma ser muito visada pelo mercado. Assim como um líder de raid, um administrador deve estar sempre pronto para utilizar o tempo a seu favor, e não o contrário.

Comunicação

A comunicação do grupo costuma significar a diferença entre o sucesso e o fracasso, e isso se aplica tanto a uma raid de World of Warcraft quanto à rotina de trabalho em uma empresa.

Jogadores têm muita familiaridade com comunicação colaborativa. Geralmente, usam softwares de comunicação por voz, como Discord, TeamSpeak ou Ventrilo, para facilitar a comunicação em tempo real. Tais softwares são muito semelhantes e, quem sabe, superiores aos softwares corporativos como MS-Teams e Slack.

Isso permite que, tais membros, enquanto trabalham em equipe numa empresa, compartilhem informações instantaneamente, coordenem ações e reajam a eventos inesperados de forma mais eficaz do que através da comunicação baseada em texto.

Quanto melhor a comunicação entre um líder e sua equipe (seja ela real ou virtual), maiores as chances de todos alcançarem o objetivo proposto. 

Liderança

Pelos tópicos anteriores, já deu para perceber que a habilidade de liderar é algo de extrema importância em uma raid. Quem participa desses eventos costuma, invariavelmente, recorrer ao seu líder em busca de conselhos e direcionamentos. 

No mundo real, as raids são os desafios, dificuldades e inseguranças que os profissionais enfrentam todos os dias. E assim como o jogo, as empresas precisam de um líder capaz de acolher e guiar seus liderados de forma clara e precisa.

Adaptação

Até os melhores planos às vezes não dão tão certo quanto se imagina. Surpresas e imprevistos acontecem o tempo todo na vida, seja a real ou a virtual. Um bom administrador – de raids ou empresas – deve ter a inteligência e o tato necessários para reagir a essas circunstâncias de forma rápida e, ao mesmo tempo, cautelosa e eficiente.

Tanto em raids quanto no mundo dos negócios, a capacidade de se adaptar a situações inesperadas e ser flexível diante de desafios é fundamental. Estratégias podem precisar ser ajustadas rapidamente em resposta a novas informações ou mudanças no ambiente.

Liderança e senso de comunidade

Os raiders mais avançados de World of Warcraft geralmente promovem raids juntamente com os outros membros de sua guild, que é um grupo de jogadores que se aliam em comunidade com a intenção de superar juntos os desafios mais difíceis do jogo.

Uma guild de World of Warcraft

A maioria das guilds são formadas por jogadores de diferentes lugares, cada um com suas próprias habilidades e traços de personalidade. Um bom líder de guilds e raids sabe reconhecer isso e utilizar os pontos fortes e fracos de cada liderado em favor dos objetivos do grupo. 

Deu para perceber que o tipo de liderança que se encontra em um jogo multijogador é o mesmo do mundo corporativo, não é mesmo? Liderar um grupo de jogadores equivale praticamente a um treinamento para desenvolver skills como:

  • Empatia: um líder deve buscar entender como seu time se sente e mantê-los motivados a dar o melhor de si;
  • Negociação: uma raid bem-sucedida gera loots (pacotes de recompensas) para a equipe. Nesses momentos, um líder deve ter sabedoria para negociar enquanto é feita a distribuição dos itens entre toda a equipe;
  • Resolução de conflitos: como as guilds são formadas por um grande número de pessoas, é inevitável que surjam conflitos aqui e ali. Ser imparcial e saber resolvê-los de forma satisfatória para todos é uma habilidade basilar de liderança.

Qualquer semelhança entre essas situações e o dia a dia de uma empresa não é mera coincidência. Por mais fantasiosos que possam parecer, os jogos utilizam inúmeros elementos da vida real para criar seus mundos. 

Aprender essas skills de negócios por meio de World of Warcraft possui duas grandes vantagens. A primeira delas é o fator lúdico, divertido e leve que acompanha o aprendizado. A segunda é o fato de que, diferentemente da vida real, não existem riscos reais em um jogo. O objetivo de uma raid pode não ser atingido em alguns momentos e isso, é claro, gera consequências dentro do jogo, mas não chega a prejudicar nossas vidas fora das telas.

Correr riscos em um ambiente como esse é uma experiência extremamente valiosa para um administrador. Os jogos que jogamos, os filmes que assistimos e os livros que lemos fazem parte da nossa bagagem, que é fundamental em vários aspectos da vida, inclusive o profissional. Por isso, que tal ir agora mesmo começar uma nova partida de World of Warcraft?

As ligações de Overwatch com o mundo do empreendedorismo em 6 lições

Em maio de 2016, o universo gamer foi impactado pelo lançamento de um título que logo se tornou um fenômeno: Overwatch, jogo de tiro em primeira pessoa desenvolvido pela Blizzard. Trata-se da mesma companhia por trás de Warcraft, Diablo e StarCraft, franquias que desafiam a ação do tempo e seguem sendo populares décadas após o lançamento de suas primeiras versões.

Porém, um nome consolidado não garante o êxito por si só. Além de sua própria reputação, a Blizzard se utilizou de uma estratégia muito bem formatada para conquistar o público. Antes mesmo de ser lançado, Overwatch já era um sucesso. 

Overwatch é um dos jogos mais populares dos últimos tempos.

O segredo desse hit instantâneo se deve muito à habilidade da Blizzard em entregar um produto de excelente qualidade e criar um buzz capaz de deixar os aficionados por games ansiosos e entusiasmados para conhecer o título.

Analisar Overwatch e todo o universo – real e virtual – que o envolve é mais que estudar um simples case. É uma verdadeira aula sobre empreendedorismo e marketing. Confira abaixo 6 lições que o jogo pode ensinar a quem pretende dar tiros mais certeiros na hora de desenvolver e administrar seus negócios. 

1) Atirar rápido e para todos os lados pode não ser uma boa ideia (seja nos negócios ou no Overwatch)

No mundo do empreendedorismo, a busca por resultados a todo custo costuma ser uma mentalidade predominante entre os líderes e administradores. Mas ao mirar esse alvo, muitas empresas acabam, ironicamente, sofrendo com a falta de foco, seja por lançar muitos produtos e empreitadas ou por abandoná-los antes do fim.

A Blizzard Entertainment é um excelente exemplo de empresa focada. Entre o lançamento de Warcraft: Orcs and Humans, seu primeiro sucesso, em 1994 e os dias atuais, a companhia só iniciou outras três franquias de jogos: Diablo, StarCraft e Overwatch. Antes de Overwatch, o último grande lançamento da Blizzard havia sido o terceiro título de Diablo, quatro anos antes.

A estratégia da Blizzard é clara e inteligente: por ser seletiva com seus lançamentos e realizá-los após grandes intervalos de tempo, cada jogo desenvolvido pela empresa se torna único, o que aumenta o interesse e o desejo do público por novidades.

Dessa forma, a empresa nos ensina algo que pode e deve ser seguido por empreendedores de qualquer área: ter foco e trabalhar em torno de um objetivo fixo é um dos elementos cruciais do sucesso.

2) Conte histórias com o seu produto

Na época do lançamento de Overwatch, a Blizzard produziu e divulgou uma série de vídeos animados curtos (com no máximo 10 minutos de duração) em que alguns personagens do novo game eram apresentados e tinham sua história contada.

Apesar de serem apenas um complemento para divulgar o jogo, esses curtas chamaram a atenção pela riqueza de detalhes e o cuidado com que foram feitos. Foi um grande exemplo do poder de engajamento de um bom storytelling.

Storytelling é um termo muito utilizado no marketing para definir uma estratégia que consiste em contar histórias capazes de criar uma conexão genuína entre uma marca e seu público. 

Vídeos, textos e imagens revelam muito mais do que podem parecer. Esses recursos são ferramentas poderosas para transmitir tudo o que há por trás de uma marca ou produto. A Blizzard entendeu isso muito bem, se utilizando do storytelling para impulsionar o engajamento e criar uma base de fãs apaixonados por Overwatch antes mesmo do título estar disponível para ser jogado.

3) Preste atenção nas tendências

Overwatch foi lançado em maio de 2016, poucos meses antes do início das Olimpíadas do Rio de Janeiro. 

Atenta ao momento, a Blizzard decidiu embarcar no hype e, em agosto do mesmo ano, lançou o Summer Games, um evento sazonal que trouxe para o jogo skins temáticas, desafios especiais e até mesmo um modo de jogo exclusivo, o Lúcioball, baseado no futebol e estrelado por Lúcio, o personagem brasileiro do game. O Summer Games fez tanto sucesso que acabou se tornando uma tradição anual.

Se aproveitar do marketing sazonal é mais uma lição de gestão de negócios que Overwatch – e o mundo dos jogos on-line em geral – pode nos dar. 

Um bom administrador é também um grande observador do mundo à sua volta. Acompanhar as tendências que vêm e vão é essencial para não deixar o seu negócio ficar para trás. Assim como também é uma ótima ideia se aproveitar de datas e eventos comemorativos para criar ações que atraiam mais público e impactem positivamente os resultados.

4) Evolua constantemente

Desde 2016, Overwatch tem evoluído constantemente. Tanto que, em outubro de 2022, o jogo original foi substituído pelo lançamento de Overwatch 2, uma sequência que expande o número de personagens, mapas e modos de jogo disponíveis.

Tanto a Blizzard quanto outras empresas de games promovem incrementos, mudanças e expansões de forma frequente em seus títulos. Essas iniciativas ajudam a não tornar o jogo monótono ou repetitivo, mantendo o interesse dos jogadores.

Por exemplo: em Overwatch, existem atualmente 39 personagens jogáveis, cada um com personalidades e habilidades únicas. Isso também significa que há 39 estratégias de jogo diferentes para aprender, já que cada personagem carrega a sua.

Um dos motivos do sucesso dos produtos da Blizzard é o fato de eles saberem o que os seus consumidores querem, e isso é algo que todo empreendedor deve ter em mente

Dia após dia, muitos negócios acabam se tornando obsoletos simplesmente por não conseguirem se adaptar às demandas do público e do mercado. Se você quer que sua empreitada seja bem-sucedida, tente fazer com que seu produto ou serviço seja o melhor possível para o nicho em que você atua.

5) A perfeição não existe, mas podemos nos aproximar dela

Apesar de ter sido lançado em 2016, a história de Overwatch começa quase uma década antes. Em 2007, a Blizzard anunciou um jogo diferente de tudo que a companhia havia apresentado até então. Porém, o projeto acabou cancelado após 7 anos de desenvolvimento.

Titan, o jogo que nunca aconteceu, não se perdeu por completo. Alguns dos conceitos, personagens e mapas que haviam sido criados para ele acabaram sendo reaproveitados em um novo game da Blizzard, anunciado em 2014: Overwatch.

Gameplay de Overwatch quando o jogo ainda estava em seus primeiros estágios de desenvolvimento.

A Blizzard preferiu descartar parte de um trabalho que vinha sendo desenvolvido há anos em prol de um objetivo maior: entregar para o seu público um produto ainda melhor do que aquele, buscando atingir a excelência ou pelo menos se aproximar dela.

Por isso, cada detalhe de Overwatch, dos gráficos à jogabilidade, foi pensado para entregar a melhor experiência possível para os jogadores. O esforço da Blizzard em criar algo de extrema qualidade é o mesmo que qualquer outra empresa emprega (ou deveria empregar) ao desenvolver seu produto ou serviço. 

Porém, é importante ressaltar que buscar a perfeição não é e nem deve ser uma desculpa para a procrastinação. Como vimos no tópico anterior, melhorias podem (e devem) continuar sendo implementadas mesmo depois que o produto já está no mercado. É preciso balancear as duas coisas para gerar resultados positivos.

6) Transforme seus clientes em uma comunidade engajada

Por mais que títulos como Overwatch, World of Warcraft, StarCraft e League of Legends sejam jogos muito diferentes entre si, há um elemento que os conecta: ao longo dos anos, todos foram formando grandes e fiéis comunidades de jogadores.

Os fãs são um elemento vital da cultura gamer. Esses jogadores aficionados se reúnem em fóruns virtuais, grupos de redes sociais e até mesmo pessoalmente para trocar dicas, debater ideias ou simplesmente conhecer outras pessoas que também compartilham de seus interesses. 

Esse movimento ajuda a manter o público engajado, conectado entre si e, principalmente, ativo dentro do jogo. 

Público reunido para assistir a um campeonato profissional de Overwatch.

Mas engana-se quem pensa que essa comportamento só existe entre consumidores de jogos ou outros produtos culturais. Uma breve olhada nas redes sociais nos coloca em contato com grupos e mais grupos de pessoas que se conectam em torno de temas como moda, cosméticos, gastronomia, saúde e muitos outros. Essas comunidades seguem a mesma dinâmica daquelas formadas pelos gamers: pessoas que gostam tanto de algo que sentem a necessidade de descobrir outros com o mesmo interesse.

Criar uma comunidade em torno da sua marca ou produto é uma estratégia que quase sempre gera grandes resultados . Há muitos meios que permitem isso: redes sociais, fóruns de discussão, grupos de WhatsApp ou qualquer outro ambiente em que seja possível reunir todo o seu público em um só lugar. 

Ao fazer isso, você, além de fidelizar sua clientela, consegue obter insights para melhorias diretamente da fonte mais confiável possível: as pessoas que consomem o que você oferece.

Como vimos, a indústria dos videogames é, em essência, igual à qualquer outra. As estratégias desenvolvidas pela Blizzard com Overwatch podem servir de espelho para qualquer empreendimento, seja qual for a sua área de atuação.

Empresas grandes e experientes são sempre o melhor exemplo para qualquer empreendedor que deseje crescer e evoluir. O mundo dos negócios é um grande jogo em que vence aquele que montar as melhores estratégias. Por isso, que tal se inspirar nas lições que mostramos neste artigo e otimizar as suas?

Saiba por que os jogos de simulação de negócios podem ser uma poderosa ferramenta de formação profissional (e conheça 5 deles)

Jogos que simulam a realidade não são exatamente uma novidade. Games de tabuleiro como o clássico Monopoly, lançado há mais de oito décadas, já pegavam conceitos emprestados do mundo real e os transformavam em entretenimento e, por que não, numa forma de ensinar tais conceitos. Na era dos videogames, essa ideia foi expandida em títulos como SimCity e The Sims, bem como nos jogos de simulação de negócios.

Ensinar sobre negócios pode ser uma tarefa difícil, ainda mais dentro do complexo cenário atual, e jogos que emulam os processos e desafios do dia a dia podem ser grandes aliados.

A metodologia de aprendizado baseada em games, consistida principalmente em traçar paralelos entre o mundo real e o mundo dos jogos, tem tantos entusiastas que existe uma ampla gama de videogames especialmente voltados aos negócios.

São jogos que, ao emular a realidade, replicam cenários, processos e/ou funções que são recorrentes na rotina corporativa. Pessoas que não se interessam pelo mundo dos negócios também podem jogá-los, é claro, mas eles são muito utilizados para capacitar profissionais e impulsionar neles uma visão de negócios mais dinâmica e holística.

Jogos de simulação de negócios podem ajudar a formar profissionais mais capacitados.

Essa aproximação entre negócios, educação e entretenimento tem tido impactos muito positivos nos locais em que é implementada. O método gamificado é reconhecido por ser uma maneira eficiente de impulsionar o engajamento dos alunos e ajudá-los a desenvolver soft skills e hard skills fundamentais.

Além disso, jogos que colocam os estudantes em contato com situações que eles provavelmente enfrentarão em sua rotina corporativa fazem com que o aprendizado vá além da teoria. A visão prática das coisas se torna mais aguçada e o profissional se sente mais seguro na hora de tomar decisões no mundo real. 

Continue lendo nosso artigo e descubra como os jogos podem facilitar a formação de profissionais de sucesso no mercado.

Jogar é exercitar a mente acima de tudo

Os estímulos cognitivos causados pelos jogos já são um tema bem documentado por estudiosos e especialistas. Dos 8 aos 80 anos, o contato com os games é comprovadamente benéfico para o nosso cérebro, exercitando a mente e desenvolvendo soft skills como raciocínio, estratégia e resiliência.

Com os jogos de simulação de negócios, não é diferente. Como já dissemos anteriormente, eles podem promover o aprimoramento de habilidades importantes para a carreira e o próprio crescimento pessoal de quem aprende por meio deles. 

O ensinamento de conceitos como contabilidade, marketing e planejamento são apenas algumas das múltiplas possibilidades que esse tipo de jogo oferece. Os benefícios da metodologia gamificada são palpáveis e se revelam de diversas maneiras no cotidiano profissional.

Aprendizado com base em experiências

Uma das vantagens mais divulgadas (e provadas) do ensino de negócios por meio de jogos de simulação é, sem dúvida, o fato de que os games colocam o aluno em contato direto com situações do dia a dia e suas consequências.

A vivência que um profissional adquire em uma experiência como essa se reflete diretamente em suas futuras atitudes no trabalho. 

Tanto a dinâmica em si quanto as trocas que ocorrem com os outros participantes da mesma metodologia acabarão tendo influências nas decisões tomadas pelo profissional no futuro. Por já ter tido contato prévio com certas questões e desafios, esse especialista tenderá a conduzir suas ações com mais assertividade e conhecimento.

Entendendo o funcionamento do mundo real

Engana-se quem pensa que os jogos de simulação podem ajudar apenas profissionais de um determinado mercado ou posição. Áreas como marketing, recursos humanos, educação, operações e serviços financeiros, administração e muitas outras podem se beneficiar da metodologia.

Do ponto de vista didático, esses jogos são úteis pois permitem que o estudante ganhe experiência e teste suas habilidades em diferentes cenários antes de ter que enfrentar as mesmas situações no mundo real. A grande vantagem nisso é que, diferente de uma empresa, o jogo é um ambiente livre de riscos – pelo menos de riscos com real potencial de impacto.

Dessa forma, o profissional termina seu treinamento com os jogos e retorna à sua rotina de trabalho já preparado para quando as mesmas condições que ele enfrentou durante sua capacitação acontecerem no mundo real.

Desenvolvimento de skills

Liderança, habilidades de gestão, trabalho em equipe, resolução de problemas, pensamento crítico e gestão de tempo são apenas algumas das habilidades que podem ser ensinadas e aprimoradas por meio do método gamificado. 

Assim como as corporações, o ambiente de um jogo quase nunca é individual. Nos dois contextos, o trabalho em equipe e a tomada de decisões são coisas constantes. Saber lidar com o outro é uma skill essencial para qualquer um que queira ser um profissional de sucesso, e games que simulam a realidade são uma ótima forma de começar a treinar essa capacidade.

Formação de líderes capacitados

E já que mencionamos a palavra liderança no tópico anterior, não poderíamos deixar de ressaltar o quão úteis os jogos de simulação são na formação de novos e efetivos líderes. 

A liderança em diferentes níveis é um elemento comum a praticamente todos os jogos e dinâmicas do gênero. Problemas recorrentes na rotina de um administrador são emulados com frequência, levando o jogador a exercitar sua habilidade de solucioná-los. Tudo, como dizemos anteriormente, com a vantagem de estar em um ambiente livre de riscos onde os erros se tornam aprendizados, não consequências.

Liderar pessoas e negócios não é a tarefa simples e confortável que pode parecer à primeira vista. Ao ter, por meio dos games, um contato antecipado com os desafios da administração, o profissional se torna mais preparado e experiente para o desafio. 

5 jogos de simulação de negócios para todos os gostos e segmentos

A oferta atual dos jogos de simulação de negócios abrange as mais diversas profissões, funções e áreas de atuação. Confira abaixo alguns dos principais.

1) Two Point Hospital

A área da saúde é uma das mais importantes que existem e cuidar dela pode ser um desafio e tanto para alguém sem expertise.

Two Point Hospital é um jogo de simulação desenvolvido pensando especialmente em quem deseja ou precisa adentrar o ramo da gestão hospitalar. Nele, o participante é colocado na pele de um administrador que deve gerir todas as operações de um grande hospital.

No game, o jogador recebe uma série de tarefas referentes à construção e manutenção do hospital, além de subtarefas que incluem a criação de novos quartos e leitos, a contratação de novos médicos e enfermeiros e a gestão de recursos administrativos e financeiros.

O objetivo principal de Two Point Hospital é treinar o futuro gestor para que ele saiba conduzir sua unidade de saúde de uma forma que satisfaça tanto seus pacientes quanto sua equipe médica. 

Para isso, o jogo emprega elementos lúdicos e muito humor, sua marca principal. Os pacientes virtuais que procuram o hospital costumam apresentar “doenças” um tanto incomuns, como Cubismo e Cabeça de Tartaruga, desafiando o jogador a pensar em novos tratamentos e soluções eficazes.

2) Two Point Campus

Two Point Hospital foi tão bem recebido que acabou gerando um spin-off: Two Point Campus. Sai o hospital, entra a universidade.

A premissa de Two Point Campus é a mesma de seu jogo irmão, trocando, porém, a área da saúde pela educacional. O participante do game é desafiado a construir e administrar seu próprio campus universitário, com todos os desafios que a função envolve.

As atividades do jogo incluem construir salas de aula (e outras instalações essenciais, como banheiros, dormitórios e refeitórios) adequadamente equipadas, recrutar e treinar colaboradores e, é claro, garantir que os estudantes estejam felizes e satisfeitos.

O humor característico de Two Point Hospital também não poderia deixar de estar presente. A universidade de Two Point Campus oferece alguns cursos um tanto insólitos, como Bruxaria, por exemplo, e o comportamento dos estudantes é tudo menos ortodoxo.

3) Job Simulator

O título Job Simulator já é suficiente para dar uma ideia clara sobre do que o próximo jogo da nossa seleção se trata.

O que diferencia Job Simulator de outros jogos de simulação de negócios é que ele não coloca o jogador na posição de administrador de empresa fictícia. Aqui, os papéis assumidos são os de funcionário de escritório, chef de cozinha, mecânico e balconista de loja de conveniência.

O tom descontraído do jogo é observado logo na premissa: no ano de 2050, os robôs substituíram todos os trabalhadores humanos. O simulador de empregos é uma maneira das pessoas desse futuro terem a chance de viver a experiência de trabalhar.

Assim como nos títulos da franquia Two Point, o humor também dá a tônica de Job Simulator. Funcionários de escritório digitam em um teclado com apenas duas e gigantes teclas, balconistas jogam fogos de artifício nos clientes, chefs arremessam comida e mecânicos colocam bananas em escapamentos para fazer os carros passarem nos testes de emissão de carbono. 

Parece muito fantasioso, e realmente é. Mas a rotina corporativa da vida real também pode ser bastante insólita em diversos momentos e é importante estar preparado para absolutamente qualquer situação.

4) Capitalism II

Um dos jogos de simulação de negócios mais completos disponíveis é, sem dúvida, Capitalism II.

Sequência do jogo Capitalism, lançado em 1995, o objetivo principal de Capitalism II é controlar seu próprio império de fabricação e venda de produtos. Nisso, se englobam praticamente todas as esferas de negócios do mundo real.

O jogador pode escolher entre 60 opções de produtos para fabricar. Têm a opção de escolher seus parceiros de negócios e desenvolver novas tecnologias para produzir suas mercadorias. E precisam criar estratégias efetivas de marketing, vendas, produção, compras, importação e exportação, entre outros.

Um jogo tão completo assim tem o potencial de desenvolver inúmeras skills em quem o joga. Em Capitalism II, se aprende a administrar recursos, negociar, investir e tudo que envolve a rotina de uma empresa. Trata-se de um tutorial de administração de empresas abrangente e, ao mesmo tempo, lúdico.

5) RollerCoaster Tycoon

Quando falamos em jogos, a primeira coisa que passa pela cabeça da maioria das pessoas é diversão. RollerCoaster Tycoon une essa ideia aos negócios ao simular a construção e a gestão de um parque de diversões.

O jogador assume o papel de um membro da equipe de gestão, ficando responsável por construir e customizar montanhas-russas e outros tipos de atrações como carrosséis, carrinhos de bate-bate, rodas gigantes e barcos vikings.

Entre os objetivos do jogo estão impulsionar o lucro do parque, prospectar visitantes e contratar profissionais para cuidar da manutenção, limpeza, segurança e entretenimento do negócio. Além disso, o jogador também deve cuidar das necessidades dos visitantes, construindo banheiros, lanchonetes e balcões de informações em locais estratégicos do parque.

Ao jogar RollerCoaster Tycoon, é possível exercitar, ao mesmo tempo, as skills de administração e a criatividade. Inúmeros tipos de montanhas-russas podem ser construídos, e o jogador pode alterá-los e customizá-los da maneira que sua imaginação mandar.

Errar no mundo virtual te prepara para os erros do mundo real

Errar é humano. Esse ditado popular é também um fato incontestável. Por melhor e mais capacitado que um profissional seja, ele ainda está sujeito às suas próprias falhas.

Como você viu no nosso artigo, jogos de simulação oferecem uma experiência prática dos principais aspectos da administração de negócios, mas com uma diferença crucial: no mundo virtual, o ambiente é livre de riscos.

Erros cometidos no jogo geram consequências dentro daquele ambiente, como perda de pontos ou demora para subir de nível ou fase, mas não impactam o mundo real. Sobre os erros de uma empresa de verdade, infelizmente não podemos dizer o mesmo. 

É por esse e outros motivos que os jogos de simulação de negócios são tão importantes. O ambiente gamificado permite que as pessoas se arrisquem, criem, testem ideias e se preparem para a realidade, e o mercado necessita de profissionais cada vez mais capacitados, principalmente em cargos de administração. Que tal aprender isso jogando?